Fintechs, Drex e regulação cripto: o novo mapa do mercado financeiro digital no Brasil
Open Finance bate 200 milhões de consentimentos, Pix ganha novas funções, Drex muda de rumo e exchanges enfrentam prazo para se adequar ao Banco Central.

O Banco Central redirecionou o projeto Drex ao longo de 2026, abandonando a blockchain pública Hyperledger Besu e concentrando a primeira fase na reconciliação de gravames — a verificação de garantias de crédito já vinculadas a outros compromissos.
A decisão foi apresentada em março durante o LIFT Day, em Brasília, e o presidente Gabriel Galípolo admitiu que a tecnologia testada não se mostrou viável, sobretudo pela dificuldade de conciliar transparência de registros distribuídos com requisitos de privacidade e sigilo bancário.
O Tribunal de Contas da União também avaliou o projeto e recomendou ao BC o uso de listas de verificação para planejar e implementar a moeda digital de forma mais eficiente. Apesar do escopo reduzido, o BC reafirmou que o Drex permanece como infraestrutura pública para liquidação de ativos tokenizados e que funcionalidades adicionais serão desenvolvidas sem prazo definido.
BC exige autorização e capital mínimo para exchanges de cripto
No campo da regulação de criptoativos, fevereiro de 2026 marcou a entrada em vigor das resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, que criaram a figura das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais e passaram a exigir autorização formal para exchanges operarem no país.
As empresas já em atividade têm até novembro de 2026 para solicitar autorização, e novas entrantes só poderão operar após aprovação do regulador. A partir de maio, as prestadoras de serviços de ativos virtuais passaram a reportar operações mensalmente ao BC.
O arcabouço reforça a proteção ao consumidor com exigência de segregação patrimonial — proibindo que corretoras misturem recursos próprios com os de clientes — e impõe capital mínimo que varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões conforme as atividades. O Brasil ocupa hoje a quinta posição mundial em adoção de ativos virtuais, segundo a Chainalysis.
Open Finance brasileiro completa 5 anos, mas falha em converter dados
O Open Finance brasileiro completou cinco anos de operação consolidado como o maior do mundo, com mais de 200 milhões de consentimentos ativos e cerca de 117 milhões de clientes conectados.
A nota média de maturidade do ecossistema atingiu 7 em abril de 2026, alcançando pela primeira vez o piso mínimo de conformidade regulatória, embora ainda haja instituições de médio porte abaixo desse patamar.
Na contramão dos avanços em escala, o estudo FinFacts 2026, do Google Cloud com a R/GA, revelou que nenhuma das vinte instituições avaliadas ofereceu produto ou benefício ao cliente imediatamente após o consentimento de dados — um recuo frente a 2025, quando quatro faziam ofertas.
Um relatório da Sensedia publicado em junho mostra que mais de 78 países já adotaram regulações de Open Finance e que a América Latina é uma das regiões mais dinâmicas, com Brasil, Chile e Colômbia liderando o avanço.
Pix Automático e MED 2.0 avançam na maturidade do sistema em 2026
O Pix entrou em 2026 numa fase de maturidade com impacto direto no varejo e nas cobranças recorrentes. Desde fevereiro, o MED 2.0 tornou-se obrigatório para todas as instituições, permitindo rastrear o caminho do dinheiro em até cinco níveis de transferências e bloquear preventivamente valores suspeitos por até 72 horas.
O Pix Automático, que substituiu o débito automático por boleto em operações entre bancos diferentes a partir de janeiro, está em fase de expansão, com o Banco Central projetando sua inclusão em contas-salário a partir de outubro. O Pix por aproximação, via tecnologia NFC, segue em massificação no varejo físico.
O sistema já é adotado por mais de 75% da população e movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025, consolidando o Brasil como referência global em pagamentos instantâneos.
Tokenização de ativos reais cresce 2.249% e mira R$ 7 trilhões
A tokenização de ativos reais ganhou tração significativa e se tornou um dos temas centrais dos eventos do setor, como o TokenNation 2026, realizado em São Paulo no início de junho.
O mercado brasileiro de tokens de ativos reais cresceu 2.249% em um ano, atingindo R$ 2,876 bilhões em janeiro de 2026, e a plataforma RWA Monitor já registra cerca de R$ 6 bilhões captados via tokenização no país.
Executivos do Itaú Unibanco e do Banco Safra apontaram que a clareza regulatória e a infraestrutura compartilhada são decisivas para acelerar essa frente, enquanto a CVM inclui na agenda de 2026 a revisão do regime de crowdfunding e das normas de mercados de balcão para acomodar novas estruturas tokenizadas.
O setor projeta que a tokenização pode destravar até R$ 7 trilhões em crédito nos próximos anos, embora a segurança jurídica sobre titularidade e a interoperabilidade entre plataformas sigam como desafios em aberto.
Na data de 8 de junho de 2026, momento da publicação desta notícia compilada, todos os links estavam disponíveis. Não nos responsabilizamos nem controlamos eventuais alterações, remoções das URLs ou modificações no conteúdo das fontes consultadas.

