Fim do SDK Runtime: Google encerra o Privacy Sandbox e realinha a privacidade em apps
O Google aposentou o SDK Runtime e encerrou o Privacy Sandbox; o controle sobre SDKs de terceiros migrou para lojas, sistemas e desenvolvedores.
O Google aposentou o SDK Runtime e, em 21 de julho de 2026, concluiu o desligamento do Privacy Sandbox por baixa adoção. A aposta de isolar SDKs de terceiros em processo dedicado saiu de cena, e o isolamento passou a ser buscado no próprio sistema operacional.
O controle sobre a coleta de dados por SDKs recai agora sobre quem publica o aplicativo, por declaração obrigatória no Google Play e por manifestos de privacidade na App Store. Some-se a isso a verificação de identidade de desenvolvedores, que chega ao Brasil em setembro de 2026, e a exigência de consentimento embarcado para anunciar.
Para governança, o eixo de risco deixou o navegador e foi para a loja, o sistema operacional e a responsabilidade do controlador.
O Google encerrou o SDK Runtime, a tecnologia que prometia isolar SDKs de anúncios e de análise em um processo separado no Android, com memória e armazenamento próprios. O anúncio veio em 17 de outubro de 2025, assinado por Anthony Chavez, vice-presidente do Privacy Sandbox, que listou o SDK Runtime entre as tecnologias descontinuadas por baixa adoção.
Em 21 de julho de 2026, a empresa concluiu a remoção das dez tecnologias que ainda restavam do Privacy Sandbox no Chrome e no Android, sepultando o projeto iniciado em 2019 para substituir os cookies de terceiros.
O desmonte inverte a premissa que orientou muitas áreas de privacidade: o isolamento de SDKs de terceiros por meio de um ambiente dedicado deixou de ser o caminho oficial. Quem estruturou governança em torno dessa arquitetura precisa refazer a rota.
in light of their low levels of adoption, we've decided to retire the following Privacy Sandbox technologies— Anthony Chavez, VP do Privacy Sandbox, Google — Update on Plans for Privacy Sandbox Technologies · privacysandbox.google.com
Isolamento migra do Privacy Sandbox para o sistema
Baixa adoção pelo mercado e pressão regulatória derrubaram o projeto, segundo a imprensa especializada. Sobrevivem apenas componentes de maior uso, como o CHIPS, que particiona cookies por site para conter rastreamento cruzado, o FedCM e os Private State Tokens, voltados ao combate a fraude e abuso.
O objetivo de isolar o código de terceiros não desapareceu junto com o SDK Runtime. Segundo a publicação setorial BidLogic, o Google passou a buscar nível equivalente de isolamento diretamente no sistema operacional, com mudanças incorporadas ao Android, em vez de uma camada de anúncios à parte.
A diferença importa para quem gere risco: proteção embutida no sistema depende menos da escolha de cada SDK e mais da versão do sistema operacional instalada na base de usuários.
Responsabilidade por SDK de terceiro é do app
Com o fim da promessa de isolamento automático, o controle recai sobre quem publica o aplicativo. As regras do Google Play são explícitas: o desenvolvedor responde por garantir que todo código e prática de SDKs de terceiros cumpram as políticas da loja.
A declaração é obrigatória. O formulário de Segurança dos Dados (Data Safety) exige informar toda coleta e todo compartilhamento feitos por bibliotecas e SDKs embarcados — de análise, publicidade, relatório de falhas e atribuição —, inclusive quando o próprio provedor do SDK usa os dados para fins próprios.
Na App Store, a exigência é equivalente: desde 1º de maio de 2024, apps e atualizações precisam trazer o manifesto de privacidade dos SDKs de terceiros que usam as "required reason APIs", com assinatura válida, sob pena de rejeição na revisão.
A lógica espelha o que a LGPD já impõe: o controlador responde pelo tratamento feito por seus operadores, e delegar a coleta a um SDK não transfere o dever de prestação de contas (accountability).
Verificação de identidade chega ao Brasil em setembro
A partir de setembro de 2026, o Brasil entra no primeiro grupo de países em que o Google passa a exigir verificação de identidade do desenvolvedor para que um aplicativo possa ser instalado em aparelhos Android certificados — inclusive fora da Play Store, por sideload. Indonésia, Cingapura e Tailândia integram a mesma leva.
A verificação confirma quem é o desenvolvedor, não o conteúdo do app; o Google compara o processo à conferência de identidade no aeroporto. Instalar aplicativo de desenvolvedor não verificado passará a exigir um fluxo avançado, com espera de 24 horas ou uso de ferramenta técnica.
O efeito é o fim da distribuição anônima de aplicativos até o fechamento de 2026, com verificação global prevista para 2027. Para operações que dependem de canais alternativos à loja, muda a exposição a fraude e a rastreabilidade de quem responde por um SDK malicioso.
Consentimento nativo vira exigência para anunciar
Desde 16 de janeiro de 2024, o Google exige que editores do AdMob usem uma plataforma de gestão de consentimento (CMP) certificada pela empresa e integrada ao TCF — o framework de transparência e consentimento do setor — para exibir anúncios personalizados a usuários no Espaço Econômico Europeu e no Reino Unido. A Suíça entrou na regra em 31 de julho de 2024.
Quem não atende fica inelegível para o anúncio personalizado. Para cumprir a norma, o Google oferece a própria User Messaging Platform (UMP), que coleta e sinaliza o consentimento conforme a jurisdição do usuário.
É esse o novo padrão do SDK de publicidade: a lógica de consentimento embarcada, que adapta a coleta ao país onde o titular está — GDPR na Europa, LGPD no Brasil — em vez de caixas genéricas costuradas a cada aplicativo.
Baixa adesão expõe crítica ao modelo de anúncio
O encerramento reacendeu a crítica de que o Privacy Sandbox nasceu comprometido. Para a Proton e para a AdGuard, o desenho tentava preservar o modelo de publicidade dirigida sob a bandeira da privacidade, e a baixa adesão apenas confirmou a desconfiança de mercado e de reguladores.
O risco de fundo permanece com ou sem sandbox. Pesquisa da Unit 42, da Palo Alto Networks, encontrou aplicativos na Play Store vazando dados sensíveis por integrações mal configuradas; a NowSecure aponta que um app típico embarca dezenas de SDKs de terceiros, com fluxos de dados que nem o próprio desenvolvedor domina.
O ponto de fiscalização se desloca para a distância entre o que a política de privacidade declara e o que o tráfego de rede de fato faz — a lacuna que autoridades europeias vêm mirando em ações coordenadas.
Revisão editorial: Ricardo Nery
Compilado produzido com apoio de automação a partir das fontes listadas, com edição e revisão humanas antes da publicação.
Na data de 30 de agosto de 2026, momento da publicação desta notícia compilada, todos os links estavam disponíveis. Não nos responsabilizamos nem controlamos eventuais alterações, remoções das URLs ou modificações no conteúdo das fontes consultadas.
