Quarta, 5 de agosto de 2026 · Ed. nº 0064 COMPILADO DAS 08H00 EditorialSobreAutoresMetodologiaCompiladosContato
Cibersegurança

Cibersegurança em 2026: Brasil sob pressão de ransomware, vazamentos e ataques com IA

Ataques mais sofisticados, custos milionários e incidentes no setor público e privado marcam o cenário brasileiro de segurança digital no primeiro semestre.


Cibersegurança em 2026: Brasil sob pressão de ransomware, vazamentos e ataques com IA
Se procurar bem, sempre tem um homem por trás de um link. Imagem ilustrativa gerada pelo ChatGPT.

O Brasil se consolidou como um dos alvos prioritários do cibercrime global no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento da Check Point Software, o país ficou entre os dez mais atingidos por ransomware no primeiro trimestre do ano, concentrando 2% das vítimas globais.

Ao todo, 2.122 organizações tiveram dados expostos em plataformas de extorsão mantidas por grupos criminosos no período, o segundo maior volume já registrado. A atuação do grupo LockBit em ataques direcionados ao Brasil foi destacada no relatório, após o grupo retomar operações fora do mercado norte-americano.

Dados do CERT.br revelam que o país registrou 74.996 incidentes cibernéticos apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, com 86% dessas ocorrências classificadas como varreduras — o que indica um mapeamento massivo de vulnerabilidades em redes brasileiras antes de ataques destrutivos.

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Custo de violação de dados no Brasil chega a R$ 7,19 milhões

O impacto financeiro dos ataques cibernéticos atingiu patamares sem precedentes para as empresas brasileiras. De acordo com relatório da IBM citado por múltiplas fontes do setor, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025, com alta de 6,5% em relação ao ano anterior. Nos setores de saúde, finanças e serviços, os custos médios chegaram a R$ 11,43 milhões, R$ 8,92 milhões e R$ 8,51 milhões, respectivamente.

Para o varejo, estimativas indicam que um único ataque de ransomware pode representar entre 7% e 24% da receita anual de uma rede de médio porte, considerando receita parada, recuperação técnica, multas da LGPD e danos reputacionais. A Febraban aponta que, embora bancos tenham evitado R$ 35 bilhões em prejuízos com sistemas de inteligência artificial, as fraudes de engenharia social ativa — quando o criminoso convence o usuário a realizar a transferência — geraram perdas consolidadas de R$ 4,5 bilhões.

Ataques a Cemig e Dígitro expõem fragilidade do setor público

Incidentes graves envolvendo o setor público e infraestrutura crítica marcaram os primeiros meses do ano. Em maio, a Cemig sofreu um ataque cibernético que resultou no vazamento de dados de 135 mil clientes, reforçando a vulnerabilidade de concessionárias de energia.

O CTIR Gov classificou como crítico o vazamento de dados, códigos-fonte e documentos internos da Dígitro Tecnologia, fornecedora de soluções utilizadas por mais de 150 instituições governamentais e órgãos de segurança pública. Além disso, a oferta na dark web de uma base com 251 milhões de registros de CPFs, apelidada de MORGUE, gerou alerta generalizado, embora o Ministério da Gestão e da Inovação tenha negado invasão ao Gov.br.

A Polícia Federal também deflagrou a Operação Exfil para desarticular um esquema de comercialização ilícita de dados fiscais sigilosos envolvendo servidores da Receita Federal e do Serpro.

Phishing via WhatsApp e ransomware com IA disparam em 2026

A evolução das táticas de ransomware e phishing com uso de inteligência artificial está redefinindo o cenário de ameaças em 2026. Segundo análise da Kaspersky, novas famílias de ransomware estão adotando cifras de criptografia pós-quântica, enquanto outros grupos abandonam a criptografia em favor de ataques de extorsão baseados apenas no roubo e ameaça de vazamento de dados.

O modelo de Ransomware-as-a-Service permite que afiliados menos técnicos executem ataques em escala industrial, com o número de grupos ativos chegando a 17 apenas em janeiro de 2026. No campo do phishing, ataques de vishing cresceram 449%, impulsionados por deepfakes de voz que simulam gestores autorizando transferências.

No Brasil, foram registradas 553 milhões de tentativas de phishing em 2025, com crescimento de 617%, e o WhatsApp se tornou vetor de 90% das mensagens fraudulentas.

CTIR Gov obtém certificação SIM3 e eleva resposta a incidentes

Diante da escalada das ameaças, a resposta a incidentes cibernéticos ganhou complexidade e urgência institucional. O CTIR Gov, mantido pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, obteve em março de 2026 a certificação da OEA no padrão SIM3, tornando o Brasil o quarto país da região a alcançar essa conformidade.

Especialistas globais apontam que planos de resposta a incidentes precisam ir além de documentos estáticos e incorporar governança executiva, comunicação de crise, coordenação regulatória e capacidade de operação sob pressão. Análises da Eye Security com base em 630 incidentes na Europa mostram que ambientes com detecção e resposta gerenciadas resolvem ocorrências até 90% mais rápido, reduzindo o tempo de permanência de comprometimento de e-mail corporativo de 24 dias para menos de 24 minutos.

A Estratégia Nacional de Cibersegurança já em vigor e os decretos federais de 2025 elevaram critérios de segurança cibernética ao status de segurança nacional, sinalizando o fim da conformidade superficial para o setor privado.

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Na data de 6 de junho de 2026, momento da publicação desta notícia compilada, todos os links estavam disponíveis. Não nos responsabilizamos nem controlamos eventuais alterações, remoções das URLs ou modificações no conteúdo das fontes consultadas.